1. SEES 19.6.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  ELES QUEREM DIZER ALGUMA COISA
3. ENTREVISTA  AFFONSO CELSO PASTORE  A ARMADILHA DO CRESCIMENTO BAIXO
4. LYA LUFT  MUDAR O MUNDO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  MASTECTONIA PROFILTICA: FAZER OU NO?

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

COPA DIGITAL
Chegou a hora do grande teste para o Brasil antes do Mundial de 2014. Alm da cobertura das partidas e do evento nas seis cidades-sede  com reportagens sobre organizao, infraestrutura e, claro, futebol , o site de VEJA oferece ao torcedor a consulta em tempo real das estatsticas de jogo da Opta, a lder mundial em anlise de dados esportivos. O sistema d ao leitor a chance de conferir nmeros de todos os atletas e selees participantes da Copa das Confederaes. Quer saber como foi a atuao de Neymar no jogo do Brasil? Basta acessar o banco de dados para saber quanto ele correu, como se movimentou em campo, com quem mais tabelou e como foram suas finalizaes, por exemplo.

ACOMPANHE DE PERTO
Para quem vai viajar com o objetivo de acompanhar as partidas, um recurso exclusivo: o GeoSocial VEJA, que rene as notcias do torneio e atualizaes do Twitter, Instagram, Foursquare e TripAdvisor num s mapa e permite que o torcedor encontre facilmente postagens sobre as sedes e indicaes de estabelecimentos como restaurantes e bares.

PERGUNTE AO VETERINRIO
Como condicionar seu cachorro a fazer xixi no lugar certo?  possvel ensinar um gato a no arranhar o sof? O veterinrio Mauro Lantzman, especialista em comportamento animal, responde a essas e outras dvidas que afligem donos de ces e gatos. 
 Reportagem de VEJA visitou o primeiro hospital veterinrio pblico do pas, em So Paulo. O local atende cerca de 120 animais por dia e faz em mdia 625 cirurgias e 1580 exames por ms. Um dos objetivos da instituio  educar a populao para os cuidados com o bicho de estimao.

CONCURSO PBLICO
Durante as prximas cinco semanas, VEJA.com oferecer seu primeiro Curso Preparatrio para Concursos Pblicos. Composto de videoaulas, textos para download e dideoconferncias ao vivo, o curso  grtis e ser ministrado por professores da AldaCon  empresa especializada no assunto. Os contedos abordam, em quinze aulas, as disciplinas comuns a quase todas as provas de seleo de servidores: portugus, matemtica, direito constitucional e administrativo e redao. O calendrio de atividades est disponvel na pgina veja.com.br/tema/concursos-publicos.


2. CARTA AO LEITOR  ELES QUEREM DIZER ALGUMA COISA
     Uma reportagem especial desta edio se dispe a explicar o que querem os jovens brasileiros que esto vandalizando as ruas a pretexto de lutar contra o aumento de 20 centavos nas passagens urbanas. Eles querem protestar. So donos de uma indignao difusa contra o "sistema" e pregam que um "outro mundo  possvel". Nisso so iguais aos jovens americanos que em 2011 protagonizaram uma furiosa mas meterica revolta urbana contra o capital financeiro ("Ocupe Wall Street"). Eles se parecem com os estudantes ingleses que, tambm h dois anos, barricaram o centro de Londres em protesto contra a cobrana de algumas taxas nas universidades, que at 1997 eram inteiramente gratuitas. 
     Eles tm em comum principalmente o fato de pertencer s classes mdias e ricas de seus respectivos pases. Uma pesquisa mostrou que a renda mdia anual dos participantes do movimento contra Wall Street era de mais de 80.000 dlares. O smbolo mximo dos militantes pela universidade gratuita de Londres foi Charles Gilmour, filho do milionrio guitarrista da lendria banda de rock Pink Floyd e, claro, com dinheiro familiar bastante para custear as mais caras universidades do planeta. Os reprteres de VEJA entrevistaram dezenas de jovens nas ruas de So Paulo e do Rio de Janeiro que, candidamente, confessaram nunca andar de nibus, mas protestavam mesmo assim em nome de suas empregadas domsticas. Fosse esse mesmo o caso, seria mais eficiente pedir aos pais um aumento de salrio para elas. 
     Uma lio valiosa, porm,  a de que esses surtos de indignao da juventude sempre guardam uma razo real escondida atrs dos cartazes com dizeres desconexos e palavras de ordem utpicas. Eles no podem ser simplesmente descartados como arroubos naturais daquela idade em que, como dizia o ditado, sobra fora e falta sabedoria. Tampouco ajuda enxergar esses jovens apenas como massa de manobra de partidos radicais.  muito til tentar decifrar quais so as verdadeiras frustraes extravasadas violentamente por eles nas ruas das grandes cidades brasileiras. A reportagem de VEJA que comea na pgina 82 contribui para isso.


3. ENTREVISTA  AFFONSO CELSO PASTORE  A ARMADILHA DO CRESCIMENTO BAIXO
Na avaliao do ex-presidente do Banco Central, a falta de investimentos na capacidade produtiva condena o pas a um cenrio de avano medocre do PIB e inflao elevada.
GIULIANO GUANDALINI

A economia brasileira atravessar dias mais difceis nos prximos meses. A conjuntura internacional j no alavanca as exportaes na mesma intensidade, e o real perde valor em relao ao dlar. Ao mesmo tempo, o mercado interno vacila. A indstria sofre com um cenrio particularmente adverso, pressionada pelo aumento nos custos de produo e pela margem de lucro reduzida. Com os lucros em queda, os investimentos no avanam. "Estamos presos na armadilha do crescimento baixo", diz o economista Affonso Celso Pastore, 74 anos, ex-presidente do Banco Central. Segundo Pastore, rigoroso e respeitado acadmico e consultor, apenas uma mudana na orientao da poltica econmica, com nfase no controle dos gastos pblicos e incentivo aos investimentos, poder elevar o potencial de crescimento. 

Uma boa parte dos reajustes nos preos pode ser explicada pela alta no custo dos alimentos, causada por fatores climticos e quebra de safras. Nesse contexto, o aumento da inflao brasileira no seria apenas um efeito transitrio? 
A inflao est em alta. H um aumento generalizado de preos. Os reajustes no setor de servios, como educao, sade e comrcio, mantm-se acima de 8% ao ano.  um quadro grave. Se removssemos os efeitos das redues de impostos da eletricidade, dos automveis e dos eletrodomsticos, alm de eliminarmos o subsdio ao preo da gasolina, a inflao estaria rodando muito acima do teto de 6,5% da meta oficial. 

Quais fatores exercem maior presso de alta sobre os preos? 
A razo de fundo so as presses de demanda, que cresce acima da oferta. O prprio Banco Central j reconhece que a inflao vem do excesso da demanda domstica. O efeito fica evidente nos reajustes de preos no setor de servios, uma rea particularmente favorecida pelo desemprego baixo. No falta demanda no Brasil. O pas vive uma situao de pleno emprego.  um fato inegavelmente positivo, mas traz desafios. As empresas, para manter os seus funcionrios, aceitam pagar salrios maiores. Esse custo adicional acaba fatalmente sendo repassado, ao menos parcialmente, para os preos. 

O aumento na cotao do dlar representa um novo foco de presso inflacionria. O governo deveria intervir no cmbio para evitar uma alta mais acentuada da moeda americana? 
A alta do dlar vem predominantemente de fora e no  um fenmeno transitrio. A retomada do crescimento e a mudana na poltica monetria dos Estados Unidos levaro ao fortalecimento de sua moeda, que dever persistir por um longo perodo. Com isso, foram-se embora os anos de contnua valorizao do real. No h razo para contrariar essa tendncia, mesmo porque temos um dficit elevado nas contas correntes (as transaes brasileiras com o exterior) e os fluxos de capitais tendem a se reduzir. O que pode ser feito  reduzir a volatilidade. Para que a desvalorizao do real no afete ainda mais a inflao, o governo deveria executar uma poltica fiscal contracionista, ou seja, reduzir a expanso de seus gastos. Seno o controle inflacionrio depender excessivamente da elevao na taxa de juros. 

O BC decidiu elevar a dose de alta da taxa bsica de juros, a Selic. Essa ao ser suficiente para derrubar a inflao para o centro da meta oficial, de 4,5%? 
O que interessa no  quanto aumentou a Selic na ltima reunio do BC, e sim o tamanho total do ciclo de aumento. O Brasil no precisa de juros to elevados como no passado, mas a inflao est fone, e o BC se defronta com dois desafios adicionais. O primeiro  a poltica fiscal, que continua expansionista. No h nenhum sinal de que isso seja revertido. O segundo  a nova realidade da taxa cambial, devido  mudana no cenrio mundial. A recuperao dos Estados Unidos e a queda no ritmo da  China, com efeito sobre as commodities exportadas pelo Brasil, so duas foras provocando a depreciao do real. A dvida  se o BC ter grau suficiente de independncia para realizar o ajuste necessrio na taxa de juros. 

Quais os efeitos, sobre a economia, de a inflao permanecer no limite superior da meta oficial? 
Se o BC demora a reagir, automaticamente as expectativas com relao  inflao futura sobem. Isso caracteriza um processo de desancoragem de expectativas. As empresas, os trabalhadores e as pessoas de modo geral deixam de acreditar na meta oficial. Se esse processo no for detido, estaremos diante da receita para uma inflao crescente. Para combater esse risco, o BC precisa reagir aumentando a taxa de juros e recompor a sua credibilidade. Os juros poderiam subir menos caso o governo reduzisse os seus gastos, mas, se no houver a ajuda da poltica fiscal, voltaremos a ter taxas de juros de dois dgitos. 

Ministros e conselheiros da equipe econmica argumentam que o Brasil possui uma inflao estrutural ao redor de 5% e, por isso, no faz sentido aumentar a taxa de juros para fazer o ndice cair abaixo desse patamar. 
Esse diagnstico no tem o menor propsito. Essa histria de que existiria uma inflao basal serve apenas para justificar a falta de vontade em combater a inflao. 

A indstria ganhou uma srie de incentivos do governo, como redues tributrias e subsdios. Ainda assim, a produo permanece semiestagnada. Por qu? 
At 2008, a produo da indstria crescia em um ritmo similar ao do aumento no consumo interno. Em 2008, veio a crise, e a produo regrediu. Houve em seguida uma recuperao. Mas, a partir de 2010, a indstria ficou para trs e parou de crescer, a despeito do volume crescente das vendas no comrcio. A indstria deixou de ser competitiva, e as importaes avanaram. O fundamental  entender por que a indstria perdeu competitividade. A resposta est na alta do custo unitrio do trabalho e na valorizao do real. Se o salrio sobe 10% e o total produzido pelo trabalhador tambm sobe 10%, no existe aumento de custo. O salrio sobe em linha com a produtividade. Agora, se o salrio sobe 10%, mas a produtividade no sobe, ento o custo sobe 10%. Desde 2010, o custo unitrio do trabalho medido em reais aumentou 15%. A indstria tem dificuldade para repassar aumento de custos para os preos, porque, ao contrrio do setor de servios, sofre a concorrncia dos importados, e o cmbio real continua valorizado. 

Os pacotes de ajuda do governo no foram suficientes para tornar a indstria mais competitiva? 
Com poucas excees, as medidas foram insuficientes para recompor a margem de lucro. O Brasil deveria ter aproveitado o perodo de real valorizado para aumentar os investimentos em infraestrutura, atrair capital produtivo, dar mais competitividade  indstria. Isso no foi feito. O real forte acabou espremendo ainda mais as margens de lucro. O governo tentou aplacar esse problema forando uma desvalorizao cambial no ano passado. Terminou colhendo um aumento da inflao. Nesse quadro, a indstria dificilmente sair dessa situao de baixa lucratividade. Sem perspectivas de lucro futuro, as empresas reduzem os seus investimentos. 

O governo concedeu uma srie de estmulos ao consumo, como a reduo dos impostos sobre carros e eletrodomsticos. Ampliar a demanda no incentiva os investimentos? 
Esse  o diagnstico do governo. Na avaliao da presidente e de sua equipe, o investimento est baixo porque a demanda  fraca, e no porque houve uma queda na rentabilidade da indstria. No modelo deles, faz-se necessrio dar ainda mais estmulos ao consumo. Quanto mais estmulos o governo conceder para incentivar a demanda, menor ser o desemprego, maiores sero os salrios e a popularidade do governo, mas menor ser o lucro da indstria. Se a indstria v a sua perspectiva de lucros cair, ela no investe. Assim, teremos de nos conformar com uma taxa de crescimento anual da economia abaixo de 3%. Estamos presos na armadilha do baixo crescimento. 

O BNDES, a principal fonte de crdito para os investimentos no pas, vem batendo recordes de liberao de recursos. Ainda assim, os investimentos no avanam, e o pas cresce pouco. No  paradoxal? 
Vale a pena analisar essa questo  luz do livro Por que as Naes Fracassam, lanado recentemente pelos economistas Daron Acemoglu, do MIT, e James Robinson, de Harvard. Para que uma nao prospere  necessrio haver o esprito de inovar, de criar. O indivduo precisa ter o direito de lucrar com a sua inovao. Deve haver um sistema de leis que beneficiem as inovaes e garantam o funcionamento dos mercados, permitindo a busca do lucro. O segredo das sociedades que prosperam est na qualidade de suas instituies, econmicas e polticas. Existem, na definio de Acemoglu e Robinson, as sociedades inclusivas, nas quais so premiados os indivduos que inovam e aumentam a produtividade obtendo lucros, com o governo mantendo a ordem. Mas existem as sociedades extrativistas. Nelas, vale mais quem voc  conhece e no o que voc conhece. Em vez de o esforo do empresrio se concentrar na busca pela inovao tecnolgica, ele se concentra em obter privilgios. No caso brasileiro, o esforo est em ir a Braslia, atrs de medidas protecionistas, subsdios, linhas de emprstimo do BNDES. Um governo que concede esse tipo de benefcio  um governo que est alimentando instituies extrativistas. 

Estamos diante de um perigoso retrocesso, no? 
O Brasil foi extrativista at um passado recente, quando havia protecionismo, reservas de mercado, controle de preos. O Brasil j tinha superado esse estgio. Temo que estejamos regredindo novamente a uma sociedade na qual os sujeitos que buscam vantagens tm mais oportunidades do que aqueles que buscam a produtividade e o lucro. Um governo que cria quarenta ministrios  terreno frtil para o avano de instituies extrativistas. Est havendo um deslocamento na direo de instituies contrrias ao desenvolvimento. Como se obtm mais poder conforme se do mais vantagens, as vantagens florescem, sem ampliar a produtividade. O Brasil fica mais preso na armadilha do crescimento baixo. 

Como ento escapar dessa armadilha e crescer sem gerar inflao? 
Em primeiro lugar, abandonando as ideias brizolistas de capitalismo de estado. A poltica fiscal precisa ser apertada, diminuindo os gastos pblicos, mas preservando os programas de redistribuio de renda, e com isso abrindo espao para depreciar lentamente o cmbio. A mudana do cenrio internacional favorece esse caminho. A longo prazo, o Brasil precisa aumentar a produtividade, no existe outro caminho.  necessrio aprimorar o capital humano, educando e treinando a mo de obra.  preciso trazer capital fsico de primeira qualidade, ampliando a infraestrutura e reabilitando as agncias reguladoras. As filas de caminhes nos portos, por exemplo, representam uma perda de produtividade enorme. O mesmo vale para o trnsito nas grandes cidades. As pessoas gastam horas para se deslocar de casa para o trabalho. Tudo isso  perda de produtividade, o que, no fim do dia, deixa o pas mais pobre. Se o setor pblico no dispe de recursos ou de capacidade operacional para fazer esses investimentos, que deixe o setor privado assumir os projetos.

 O governo, nos ltimos dias, manifestou a disposio de acirrar o combate  inflao e tambm de interferir menos na economia. So sinais de uma inflexo na poltica econmica ou um recuo momentneo? 
O quadro piorou, e o governo precisa reagir. O racional seria abandonar as prescries da nova matriz de poltica econmica, retomando uma dose maior de ortodoxia. Embora o governo emita sinais nessa direo, h duas barreiras. A primeira  ideolgica: a presidente Dilma Rousseff e seus ministros simplesmente no acreditam no receiturio ortodoxo. A segunda  de natureza poltica: ainda que engulam a contragosto esse receiturio, eles sabem que seus benefcios somente viro em um prazo incompatvel com seu horizonte poltico, e as eleies ocorrero antes que o crescimento aparea. O risco  termos apenas uma mudana retrica, sem que nada de fundamental acontea.


4. LYA LUFT  MUDAR O MUNDO
     Quando jovens, cultivvamos a utopia de um mundo melhor. Tenho refletido sobre isso. Tenho lido e pesquisado sobre a histria do nosso comportamento atravs dos sculos. Parece que, apesar de toda a violncia atual, fomos ficando menos violentos. Difcil acreditar, eu sei, mas basta pensar nos antigos povos escravizados, mulheres brutalizadas e crianas maltratadas sem nenhuma defesa, imprios cruis e perseguies terrveis aplaudidas, como Cruzadas e Inquisio, para ver que melhoramos. 
     Talvez em nosso DNA no sejamos predadores ferozes. Quem sabe compaixo e solidariedade tenham nascido com essa nossa estranha espcie, os humanos que andam eretos e, para complicar tudo, pensam. Quem sabe esse dolo de dupla face, prazer e poder, com a economia como lema primeiro, no seja inato em ns, mas inveno de uma humanidade que pode ser mais sofisticada, mas ainda  destrutiva demais. 
     Seria possvel mudar o mundo, mudando por pouco que seja os princpios e valores de cada um de ns? Ou  um velho ideal ultrapassado, e juvenil? Talvez haja um modo de transformar nossa louca futilidade e desvairada busca de poder, estimulando o que em ns j existe: o desejo do bem do outro, e uma convivncia menos truculenta? 
     Se o primeiro objetivo de todos os governos fosse o bem das pessoas, a deusa Economia e seu parceiro, o Poder, perderiam um pouco da forca. E teramos outros ideais, modelos, ambies. Haveramos de nos respeitar mais. tambm. Reavaliar nossos desejos, consumir menos ou melhor, se fosse preciso trocar a manicure e o cabeleireiro por comida decente para as crianas e, quem sabe, a prestao de uma casinha prpria. Mudar o sonho do carro importado por mais harmonia, mudar o conceito do que  "moderno", que no  inconsequente e delirante. Recuperar a compostura perdida quando fazemos proselitismo com cartazes e material de televiso dizendo que algum  uma prostituta feliz, ou "sou feliz porque sou prostituta". O material foi recolhido pela insanidade, mas algum, num cargo importante em um dos muitos ministrios, teve essa genial ideia. Respeitar no significa elogiar, nem apresentar como modelo. 
     Quem sabe comeamos tendo um pouco mais de bom-senso e pudor. Quem sabe comeamos querendo ser teis, produtivos e compassivos dentro do nosso crculo de famlia, trabalho, comunidade. O ideal no seria criar nossos filhos para ser milionrios ou as meninas para ser modelos de beleza e sensualidade, mas para ser pessoas decentes, que acreditam em algum tipo de felicidade tranquila, que vo construir sua vida, produzir no seu trabalho, conviver bem com sua famlia, enfim, ser transformadores do mundo, dessa maneira mnima que pode parecer tola, mas  essencial. 
     Abrir o jornal e ver o noticioso, todos ns sabemos,  entrar numa srie policial violenta, receber uma bofetada de falta de tica, roubalheira, indignidades vrias e muitos absurdos consagrados. Mdicos ganhando pouco e exaustos pelo excesso de trabalho atendendo dezenas de pacientes nas emergncias s vezes mal aparelhadas pelo pas afora. Professores recebendo salrios vergonhosos, submetidos  violncia por parte de alunos e s vezes de pais de alunos, jovens que dentro da sala de aula e no ptio se engalfinham como bandidos, gente inocente que morre queimada porque no tinha mais que alguns reais no bolso ou no banco, acidentes de trnsito totalmente evitveis, obras pblicas ruindo quando mal ficam prontas, falta de bons engenheiros, de seriedade no uso de material, de se levar em conta as vidas humanas que ali ho de correr riscos srios. Isso tudo sem falar nas guerras fora de nosso alcance, mas dentro de nossa casa pelos meios de comunicao. 
     A gente podia mudar: se cada um mudasse um pouquinho, exigisse muito mais dos lderes em todos os setores, e aspirasse a algo muito melhor. Talvez digam que  apenas utopia minha, resqucios de um idealismo juvenil: mas amadurecer no precisa ser renunciar a todas as nossas crenas.
LYA LUFT  escritora


5. LEITOR
JOS DIRCEU
A reportagem "Todas as caras de Dirceu" (12 de junho), sobre o livro Dirceu  A Biografia, mostra as etapas da vida pregressa do poltico todo-poderoso que hoje dobra os joelhos na porta da priso. Exibe tudo, desde o menino que torturava gatos em Passa Quatro at o estudante radical e perverso que sequestrava e torturava colegas que a ele se opunham. Cita o Don Juan falido que maltratava as mulheres que por ele se apaixonavam. E mostra o desenrolar de uma vida perdida nos esgotos imundos do radicalismo, de sua adeso  guerrilha  convivncia oportunista de amor e dio com Lula. Uma vida assim teria de acabar como est terminando: na priso, onde Jos Dirceu ter tempo para refletir sobre os crimes e os desvarios cometidos.
WALDO CLARO
Ja, SP

O livro Dirceu  A Biografia deve completar a sua extensa ficha policial. No deixarei de l-lo.
LUDINEI PICELLI
Londrina, PR

Li a reportagem, comprei o livro de Otvio Cabral e vou l-lo. Fui movida pela curiosidade, e no por admirao ao personagem biografado que, de torturador de gatos a sequestrador de "inimigos" do ento movimento estudantil, tornou-se tambm, quando no poder, sequestrador de iluses, esperanas e direitos civis do povo brasileiro.
JACYRA VARGAS SUPERTI
Chapada, RS

Os brasileiros devem manter a poltica livre de homens da estirpe de Jos Dirceu. Basta!
ELIANE SEXTO
So Paulo, SP

As farsas, as aes criminosas, as condutas terroristas do ''Ronnie Von das massas" em nada convergem com o esprito democrtico e de liberdade que todos desejamos.
MAURCIO MARANGONI
Araras, SP

No Brasil de hoje, no qual existe at uma comisso oficial para esconder metade da verdade e distorcer a outra, como parte dos mecanismos oficiais de controle das notcias e da histria,  esclarecedor saber que uma estrela do PT participou de torturas, crcere privado, sequestros e at de assassinato.
LUS MIRANDA
Rio de Janeiro, RJ

A capa de VEJA  primorosa e artstica. Faz-se admirar por si s.
ROBERTO SARMENTO LIMA
Macei, AL

Depois da reportagem de VEJA fiquei com a sensao de que o malfico mensalo, ao trazer  luz as estripulias do mineirinho Jos Dirceu, foi um mal menor. J imaginou o pesadelo de ter Dirceu ocupando a Presidncia da Repblica?
MARIA ANGLICA BOVOLON M. ARAJO
So Caetano do Sul, SP

Depois de ler a reportagem sobre o livro Dirceu  A Biografia, a figura do comissrio Rasputin de Passa Quatro veio-me claramente  memria. S o vi, pessoalmente, no almoo em que vrios PT-astros importantes almoavam nos jardins do Palcio de Governo de El Salvador, celebrando a posse do presidente Maurcio Funes. A esposa deste, Vanda Pignato, fora minha funcionria na Embaixada do Brasil em San Salvador (1992-1995), dirigindo o Centro de Estudos Brasileiros, que parecia tomar-lhe 30% das atenes, ficando os restantes 70% aos seus ideais polticos e devaneios como amiga pessoal de Lula e cofundadora do PT. Nesse almoo, Z Dirceu me olhava  eu, de terno escuro, engravatado  como se eu fosse algum importante, digno da sua estima, ou desconfiana, algum que ele procurava identificar, com seu faro de eterno clandestino da lei. Terminado o almoo, pegamos o mesmo nibus especial, em direo ao hotel dele na capital salvadorenha. Um cinco-estrelas,  claro, enquanto eu me dirigia com minha esposa, hondurenha, ao apart-hotel Maria Jos, de duas estrelas. A impresso que me ficou foi essa mesma que o jornalista Otvio Cabral nos relata da personalidade de Z Dirceu: uma raposa esperta, envolvente, e, sobretudo, obviamente deslumbrada com tais pajelanas do poder.
VICTOR MANZOULLO DE MORAES
Diplomata aposentado do Itamaraty
Juiz de Fora, MG

ABLIO DINIZ
Fantstica a entrevista com o empresrio Ablio Diniz ("A vida pode comear aos 76", 12 de junho). Sem dvida, o pas precisa de homens como ele, com amplo foco visionrio no setor econmico, social e empresarial.
RUBEMAR COSTA ALVES
Salto, SP

Ablio Diniz  inegavelmente um raro exemplo de sucesso contado a um em um milho, pois a idade no perdoa o desgaste fsico, mental e emocional dos humanos.
ALBERTO CLEIMAN
Rio de Janeiro, RJ

Independentemente do xito como empresrio, no se pode deixar de notar o tamanho do ego desse senhor, que ultrapassa o tamanho do Po de Acar, no a empresa, e sim o smbolo geogrfico do Rio de Janeiro.
JOO BATISTA PAZINATO NETO
Barueri, SP

QUESTO INDGENA
Adorei a reportagem sobre a questo indgena (Abandonados, usados e, agora, furiosos", 12 de junho). Sou neta de ndios. Meu av, cacique Lirio do Valle, era amigo do marechal Rondon. As minorias indgenas que ainda existem no Brasil tentam, a seu modo, preservar as reservas, sustentar seu habitat e lutar, com toda razo, por seus direitos constitucionais.
CRISLEY DO VALE
Cariacica, ES

Parabenizo VEJA pela reportagem e acrescento alguns dados histricos a respeito da criao das primeiras fazendas na rea onde se localiza Sidrolndia (MS), para que tenham uma radiografia mais clara da situao que originou os conflitos que agora vivenciamos na regio. Logo aps a Guerra do Paraguai, Vicente Brito estabeleceu, em 1870, reas de produo agrcola e pecuria na regio onde atualmente se encontra localizado o municpio de Sidrolndia. Menciono esse fato para ressaltar a importncia dos homens e mulheres corajosos e idealistas que ajudaram a desenvolver o Brasil, transformando-o em uma potncia agrcola.
LEONARDO DE BRITTO GIORDANO
Braslia, DF

Providencial a reportagem sobre a demarcao de terras indgenas. Em Santa Catarina acontece um absurdo: terras em rea industrial, no municpio de Araquari, em cuja rea est sendo instalada a BMW, correm o risco de ser demarcadas. Pior que os silvcolas nem so nativos da regio. Foram importados do Paraguai.
RENNI A. SCHOENBERGER
Joinville, SC

A questo indgena tambm causa preocupaes aos habitantes da regio sul da Bahia, notadamente nos municpios de Ilhus, Una e Buerarema, onde a Funai quer criar uma rea de reserva de 47.000 hectares sem que existam tribos nem populao autntica de indgenas tupinambs ou outros fatores para justificar um projeto to maluco, desastrado e antissocial.
JORGE HARLEY GARCIA DE FIGUEIREDO
Itabuna, BA

LUS ROBERTO BARROSO
O novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Lus Roberto Barroso, disse que vai julgar o processo do mensalo de acordo com as provas e com a conscincia (''Supremo  beira da curva", 12 de junho). Obviamente, para quem deseja ver a Justia e o pas saindo fortalecidos desse episdio, no so as provas que preocupam. Quinhentos anos de histria de instituies fracas e culto a personalidades nos levaram a um vergonhoso legado de corrupo e ao famoso "voc sabe com quem est falando?". No  possvel ao Brasil se tornar uma nao desenvolvida sem virar essa pgina. Quem sabe se o tal ponto fora da curva no , finalmente, uma dentro.
MARCUS DE MEDEIROS MATSUSHITA
Barretos, SP

O rigor no julgamento, dentro dos limites da lei, deve ser proporcional ao prejuzo causado pelo malfeito. Que o ministro Lus Roberto Barroso se lembre dos milhes de brasileiros nos corredores dos hospitais, dos trabalhadores sendo dizimados pelos bandidos, das crianas sem merenda nem educao de qualidade e atue para que os milhares de processos contra ladres de dinheiro pblico que dormem nas gavetas da Justia sejam julgados e o dinheiro devolvido  sociedade.
PRISCILA FERREIRA DA CUNHA
Natal, RN

HENRIQUE ALVES
No  somente a presidente Dilma Rousseff que precisa evoluir, mas o prprio presidente da Cmara, Henrique Alves, e toda a poltica praticada no Brasil ("A Dilma precisa evoluir", 12 de junho). Cada vez mais se faz necessria a poltica de resultados: planos claros e objetivos que visam ao crescimento sustentvel do pas social e economicamente. J passou da hora de o Senado, as cmaras e o prprio Planalto acabarem com a prtica da poltica de balco.
WAGNER FERNANDES GUARDIA
So Vicente, SP

DIABETES
tima a notcia na reportagem "Esperana para o diabetes" (12 de junho), sobre o resultado promissor em pesquisas para o tratamento da doena, principalmente para jovens como eu que tm de conviver com frequentes injees de insulina.
WELLINGTON ALCNTARA
Presidente Prudente, SP

WATTER FARIA
Sou advogado do empresrio Walter Faria desde junho de 1981. Portanto, lembro-me muito bem do episdio do assassinato do irmo dele por um policial militar da cidade de Macednia. O crime ocorreu na presena da esposa, dos filhos e de Walter Faria,  luz do dia, e o assassino foi preso logo em seguida. Nunca pairou dvida sobre a autoria do crime. VEJA errou ao afirmar que houve qualquer suposio de participao de Walter Faria no episdio ("O bilionrio 'Wrti", 12 de junho). Informo tambm que o assassino foi condenado a dezessete anos de recluso pela Justia Militar.
FERNANDO JACOB
Diretor jurdico do Grupo Petrpolis
Boituva, SP

COPA DAS CONFEDERAES
Parabns pela Edio Especial VEJA Guia da Copa das Confederaes (junho de 2013). Como representante do segmento de hotelaria com foco em resorts, fico satisfeito em ver que esse setor, especificamente, se encontra j preparado para receber turistas e delegaes estrangeiras em 2014. Foi necessrio destinar muitos recursos privados ao retrofit de equipamentos e  ampliao de estruturas fsicas de esporte e lazer. Alm disso, houve tambm a preocupao em investir na capacitao da mo de obra para qualificar colaboradores em outros idiomas. Estamos fazendo nosso dever de casa.
DILSON JATAHY FONSECA JR.
Presidente da Associao Brasileira de Resorts
So Paulo, SP

Esclarecemos que no procede a informao, publicada na reportagem "Teremos belos templos de futebol, mas...'" (junho de 2013), de que a reforma do Mineiro ficou 63,1 % acima do oramento previsto. Na verdade, os 426 milhes de reais citados na reportagem referem-se s obras internas do estdio, previstas na primeira matriz de responsabilidades assinada com o governo federal. O projeto bsico contratado posteriormente, que incluiu as obras externas (esplanada, passarela entre o Mineiro e o Mineirinho e estacionamentos), ficou orado em 654.559.392,92 reais. Esse foi o valor previsto na parceria pblico-privada que viabilizou a reforma do Complexo do Mineiro, cujas obras foram concludas dentro do prazo determinado e sem nenhum aditivo de preo ou renegociao de valores. Ressaltamos ainda que a remunerao da concessionria privada est condicionada ao cumprimento de vrios itens de desempenho e que o governo do estado compartilha as receitas do empreendimento. Portanto, ao trmino dos 25 anos de concesso, o Mineiro dever custar ainda menos aos cofres pblicos do que o valor inicialmente orado. 
TIAGO LACERDA
Secretrio extraordinrio da Copa do Mundo
Governo de Minas Gerais
Belo Horizonte. MG

ANIMAIS
Perdi meu cozinho por causa de uma doena cardaca no diagnosticada e no tratada. Assim que meu cozinho comeou com sua tosse, eu o levei ao veterinrio. Como ele no tossiu na consulta, o veterinrio disse que no era nada. Para a sorte da minha nova companheira, os animais de estimao esto tendo mais ateno. Imaginem quantos cezinhos a reportagem ''Seu co est com dor?" (Guia, 12 de junho) ajudar a salvar.
SANDRA REGINA DE ALMEIDA ISOLDI
So Paulo, SP

JOS DIRCEU 2
O livro Dirceu  A Biografia, de Otvio Cabral, trouxe  tona uma questo que eu gostaria de esclarecer. Em 2006, VEJA publicou que eu teria participado da apurao de reportagem, publicada por outro semanrio, sobre depsitos na conta do caseiro Francenildo dos Santos Costa. A informao foi replicada na internet. O fato no corresponde  verdade: no participei da apurao.
MATHEUS LEITO NETTO
Jornalista
Braslia, DF

Correo: o empresrio Walter Faria no foi investigado como suspeito de envolvimento no assassinato de um irmo, mas sim em uma tentativa de vingana depois desse crime ("O bilionrio 'Wrti'", 12 de junho).

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
COLUNA
AUGUSTO NUNES
ELEIO 2014
Acio Neves no precisa provar que  um articulador to habilidoso quanto o av Tancredo. Basta mostrar que nada tem a ver com Lula e  muito melhor que Dilma.
www.veja.com/augustonunes 

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
SRIA
O conflito na Sria que se dissemina pela regio (a destacar Lbano e Iraque)  componente essencial de uma guerra fria, que est cada vez mais quente entre o regime xiita do Ir e seus rivais sunitas, a destacar a Arbia Saudita.
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COLUNA
RICARDO SETTI
SO PAULO LIMPA
A Lei Cidade Limpa, iniciativa da prefeitura em 2007, acabou com a poluio visual em So Paulo. Agora, a poluio est voltando  graas ... prefeitura.
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BLOG
REINALDO AZEVEDO
TRANSPORTE
 espantoso que estejamos fazendo no Brasil o debate sobre a "gratuidade" do transporte pblico. Nem o man que Deus fez despencar do cu era de graa. O Senhor cobrava, ao menos, bom comportamento.
www.veja.com/reinaldoazevedo 

SOBRE IMAGENS
BELEZAS DO RIO
A fotgrafa Ana Carolina Fernandes   uma incansvel cronista visual de sua cidade, o Rio de Janeiro. Fotojornalista desde os 19 anos, trabalhou em algumas das principais redaes do pas. Atualmente, mesmo quando no est fazendo pautas para jornais ou agncias internacionais, ela no deixa de registrar o cotidiano dos cariocas. s vezes como uma contadora de histrias. Outras como uma turista na prpria cidade.
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VEJA MEUS LIVROS
A CHINA COMO ELA 
Em 2005, o escritor chins Mo Yan, que sete anos depois seria condecorado com o Nobel de Literatura, esteve na Itlia para receber o Prmio Nonino e de quebra um editor lhe fez a encomenda de um texto sobre as transformaes sofridas pela China nos trinta anos anteriores. Yan, que a princpio recusou o trabalho, acabou fazendo mais do que o proposto: a partir de uma narrativa sobre a prpria vida, ele aborda situaes da China desde 1969. Esse  o contedo de Mudana, primeiro ttulo de Mo Yan a chegar ao Brasil.
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NOVA TEMPORADA
HOMERO EM SRIE
O canal Arte da Frana estreia Odysseus, minissrie em doze episdios que faz uma adaptao livre da obra de Homero. A trama tem incio dez anos aps o fim da Guerra de Tria, quando os guerreiros retornam para casa, menos Ulisses, o rei de taca. Sua esposa, Penlope, e seu filho, Telmaco, lutam para manter o trono e a ordem no reino. O povo comea a reclamar e a duvidar de que algum dia Ulisses volte. Nesse cenrio, Leocritus (Bruno Todeschini), o lder dos guerreiros, conspira para tomar o trono.
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 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  MASTECTONIA PROFILTICA: FAZER OU NO?
Cirurgia apresenta bons resultados na preveno do cncer de mama. Mas  recomendada em casos especficos.

     A notcia de que a atriz Angelina Jolie extraiu mamas saudveis depois de descobrir uma mutao gentica que conferiria a ela um risco de 87% de ter um cncer de mama est levando aos consultrios um batalho de mulheres. Motivadas com o gesto da estrela, elas buscam preveno, o que  muito positivo. Mas da a terem de fazer a mesma escolha de Jolie vai uma longa distncia. A mastectomia profiltica (ou cirurgia redutora de riscos)  indicada para casos especficos e segundo critrios bem definidos. 
     O aconselhamento gentico oncolgico e exames moleculares para identificar mutaes genticas so ferramentas que permitem avaliar a existncia de susceptibilidade hereditria ao cncer. Caso identificada, devem ser intensificadas as aes de preveno e rastreamento precoce de tumores. Dentre as medidas preventivas, esto o uso de bloqueadores hormonais e cirurgias redutoras de risco, como a mastectomia profiltica, que diminui em cerca de 90% a probabilidade de desenvolvimento do tumor na mama. 
     Tumores associados  mutao do gene BRCA1 (caso de Jolie) podem aparecer no intervalo entre os exames de imagem e afetam mulheres mais jovens. Geralmente so do tipo triplo-negativo, isto , crescem independentemente da ao de hormnios. Por isso  a estratgia de preveno com drogas que bloqueiam receptores hormonais teria pouca eficcia. 
     Nem todas as mulheres com mutao do gene BRCA1 ou de outros genes de predisposio desenvolvero tumores. Mas  impossvel saber quais. Fora a cirurgia preventiva, o caminho  fazer um acompanhamento mdico rigoroso, com uso de medicamentos e realizao de mamografias, ressonncias e ultrassonografias peridicas. Os exames,  lgico, no impedem a doena, mas permitem o diagnstico precoce. Associados ou no a mutaes genticas, tumores de mama iniciais respondem bem aos tratamentos, que podem envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia. 
     Para mulheres com mutao gentica, particularmente do gene BRCA1, qual a melhor opo? A mastectomia , sim, um eficiente recurso preventivo. Mas ser que vale a pena encarar os riscos associados a uma cirurgia? Ser que vale a pena sacrificar mamas saudveis (mesmo com os bons resultados dos procedimentos de reconstruo)? Cada mulher ter a sua prpria lista de questes. A maneira de buscar as respostas  dialogando com o seu mdico. Juntos, pesando riscos, prs e contras, alm das caractersticas individuais de cada mulher, eles escolhero o melhor caminho a seguir.

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